Um coração partido também mexe com o cérebro
Sabes racionalmente que acabou.
Talvez até saibas que aquela relação já não te fazia bem.
E, mesmo assim, continuas a pensar naquela pessoa. Pegas no telemóvel sem razão. Dormes pior. Ficas mais ansioso/a. Ou aparece uma vontade enorme de chocolate, vinho ou qualquer coisa que dê um alívio rápido.
Depois alguém diz:
“Tens de deixar ir.”
Se fosse assim tão simples, ninguém sofria durante semanas ou meses depois de uma separação.
Porque o desgosto amoroso não acontece apenas na tua cabeça.
O corpo e o sistema nervoso também reagem.
o cérebro perde uma fonte de segurança
Quando temos uma ligação forte com alguém, o cérebro associa essa pessoa a segurança, recompensa e familiaridade.
A voz.
As mensagens.
Um abraço.
As rotinas.
A sensação de saber que aquela pessoa está lá.
O sistema opioide natural do cérebro — onde entram também as endorfinas — participa na ligação social, na sensação de conforto e na regulação da dor.
Quando uma relação termina de repente, essa fonte de segurança desaparece.
Mas o cérebro ainda a procura.
É por isso que uma separação pode, por vezes, parecer quase uma espécie de abstinência.
A parte racional sabe que acabou.
A biologia ainda não percebeu isso completamente.
porque é que algumas pessoas sofrem mais do que outras?
Nem todos reagimos da mesma forma à rejeição ou à perda.
A nossa resposta ao stress é influenciada pela história de vida, pelas experiências anteriores e até por mecanismos epigenéticos.
A epigenética estuda, entre outras coisas, a forma como determinadas experiências podem influenciar a expressão dos nossos genes.
Um dos sistemas interessantes neste contexto envolve o gene POMC, que participa na produção de substâncias como a beta-endorfina.
Isto não significa que exista um “gene do abandono”.
Mas mostra uma coisa importante:
as experiências anteriores podem influenciar a forma como o sistema nervoso reage mais tarde à proximidade, ao stress e à perda.
Por isso, para algumas pessoas, uma rejeição não é apenas triste.
É profundamente desorganizadora.
anandamida: aprender que já não há perigo
Outro sistema fascinante é o sistema endocanabinoide.
Uma das suas moléculas é a anandamida.
A anandamida participa na regulação do stress e num processo chamado fear extinction — a diminuição progressiva de uma resposta de medo aprendida.
Imagina:
Recebias uma mensagem todas as manhãs.
A relação termina.
No dia seguinte acordas e procuras automaticamente o telemóvel.
E sentes logo aquele aperto.
O mesmo pode acontecer com uma música, um restaurante, um cheiro ou uma fotografia.
A memória não precisa de desaparecer.
O cérebro precisa de aprender uma coisa nova:
“Eu lembro-me disto, mas neste momento estou em segurança.”
Esse processo leva tempo.
Mas pode ser apoiado.
alimentação e fitoterapia podem ajudar?
Não acredito que se possa tratar um coração partido apenas com suplementos.
Mas acredito que podemos criar melhores condições biológicas para o cérebro recuperar.
Uma substância interessante é o kaempferol, um flavonoide presente, por exemplo, nos brócolos, na couve e nas alcaparras.
Em investigação laboratorial, o kaempferol consegue inibir a enzima FAAH, que degrada a anandamida.
Isto torna-o interessante do ponto de vista neurobiológico.
Mas convém manter os pés no chão:
não significa que tomar kaempferol faça desaparecer o sofrimento emocional.
É uma peça de um puzzle muito maior.
Também a apigenina, presente por exemplo na salsa, no aipo e na camomila, está a ser estudada pelos seus efeitos sobre sistemas relacionados com o GABA, stress e neuroplasticidade.
Mais uma vez: apoio, não milagre.
e uma coisa muito simples: vai para a natureza
Uma das melhores coisas que podes fazer quando o cérebro está sobrecarregado é extremamente simples.
Sai de casa.
Caminha.
De preferência num ambiente verde.
Estudos sobre exposição à natureza e forest bathing mostram efeitos positivos no stress, ansiedade e cortisol.
E há ainda outro benefício:
quando estás a caminhar, não estás sentado/a a verificar pela décima vez se a outra pessoa está online.
Às vezes, isso já é uma intervenção importante.
cuidado com os atalhos
Quando sentimos vazio, o cérebro procura recompensa rápida.
Então aparecem:
- açúcar
- chocolate
- álcool
- comida altamente processada
- redes sociais
- aplicações de encontros
- mensagens que sabemos que não devíamos enviar
Durante alguns minutos, sentimos alívio.
Mas se todas as emoções difíceis forem seguidas por uma recompensa rápida, o cérebro aprende:
“Não consigo suportar este sentimento sem fugir dele.”
E é precisamente o contrário que queremos ensinar.
Quero que o sistema nervoso aprenda:
“Consigo sentir isto e continuo em segurança.”
o que faria primeiro?
Eu começaria pelo básico.
Boa alimentação.
Proteína suficiente.
Refeições regulares.
Sono.
Movimento.
Luz natural.
Natureza.
Menos álcool e menos açúcar como anestesia emocional.
E algum tempo longe das coisas que reativam constantemente a ferida.
Parece simples.
Mas biologicamente faz muita diferença.
o que tem isto a ver com o Nederland Slank?
Muito.
No Nederland Slank não olhamos apenas para o peso.
Eu quero perceber porque é que o corpo faz aquilo que faz.
Stress, sono, hormonas, insulina, alimentação e sistema nervoso estão ligados.
Por isso, não começamos simplesmente com:
“Come menos.”
Olhamos para o metabolismo, análises sanguíneas, alimentação e, quando faz sentido, também para os mecanismos neurobiológicos que influenciam o comportamento alimentar.
Porque às vezes o problema não é falta de força de vontade.
É um organismo que ainda está em modo de sobrevivência.
Queres perceber melhor o que o teu corpo precisa para voltar ao equilíbrio? Marca uma consulta no Nederland Slank e analisamos o que está por trás dos teus sintomas, do teu metabolismo e do teu comportamento alimentar.